Obras
Por Ano
Por Tema
No Ambiente
   
Sobre o Artista
Página Inicial
Biografia
Álbum de Fotos
Atelier
Crítica
Mídia
Contato
Com o Artista
Com as Galerias
Outros
Livro de Visitas
Artigos e Notícias
Links Sugeridos
 
 
   
Artigos e Notícias
 
Livro de Visitas
Galeria Virtual
Contato
Links Sugeridos
 
 
Crítica
Informações sobre Erico Santos
CARLOS VON SCHMIDT, São Paulo, 2006
De quintal e Universo

Em textos que escrevi sobre o pintor gaúcho Erico Santos, Um Pintor do Sul e Além da Janela, publicados na Internet em artesdoispontos.com.br e art-bonobo, disse:
“Ele é do Sul. Do Rio Grande. É gaúcho. De Cacequi. Vive e trabalha entre dois ateliês. Um na Rua Padre Chagas, no bairro Moinho de Vento, em Porto Alegre. O Outro, a pouco mais de uma hora da capital rio-grandense.”
“Na história do Rio Grande do Sul, dois Erico se destacam. O Veríssimo na literatura e o Santos na pintura.”
“Ambos senhores de suas áreas. Veríssimo, que li adolescente e depois adulto, e Santos, que hoje me emociona com suas colheitas, flores, bois, cavalos.
Com sua pintura neo-impressionista, às vezes tendendo para o abstrato, mas sempre mantendo a figura como ponto de partida e sempre de chegada.”
Em Além da Janela, falei de um trem e de uma frase de Erico que me chamou à atenção: “Há imagens em minha memória: da janela do trem... criança. Subindo a serra... imensas tinas transbordando de escuras uvas à espera de transporte”.
Citei Proust, as madeleines, espécie de pastelzinho doce, o chá de tília, da infância do escritor. Adulto, o gosto e o cheiro das Madeleine e do chá faziam Proust regredir ao passado. Foi desse flash back, dessa regressão que sua literatura nasceu.
Conclui que é pobre aquele “que não tem um gosto, uma imagem a lhe marcar a infância, a meninice, a adolescência”. Fui mais além ao afirmar: “se Proust não tivesse as madeleines, o chá de tília, não haveria a obra proustiana”.
“Se Erico Santos não tivesse a janela do trem, as tinas transbordando de uvas escuras, não haveria pintura.”
“Poderia existir, mas não seria o que é. Seria outra coisa. Não seria a ‘coisa mental’ que é. Aquela ‘cosa’ que Leonardo disse que ‘la pittura è’!”
Disse que na pintura de Erico “a cosa mentale” é básica. “É ela que diz a Erico o que pintar. Quando. Como. Onde. Por que?”
“É ela que vai além da janela do trem. Que ultrapassa a contemplação. Recria a imagem. Determina a visão, baliza, norteia.”
“Na tela, flores, mulheres, colheitas, cavalos, bois, se materializam a partir dessa “coisa mental.”
Ao escrever estes dois textos, estabeleci para mim, approaches, tentativas, caminhos para me aproximar dessa pintura que me faz lembrar uma frase de Gorky, o escritor russo, não o pintor norte-americano: “Se você quer ser universal conheça primeiro o seu quintal”.
Se você não conhece o seu quintal como é que vai descrever, retratar, o seu macro universo? Ou o seu micro universo? É difícil. Não dá!!!
Desse mal Erico não padece.
Conhece o seu quintal como a palma de sua mão. Sabe onde está cada árvore, cada pedra, cada musgo, cada mancha no muro. O sol onde bate e onde andam as sombras.
Esse conhecimento se manifesta em cada pincelada. Em cada gesto. Nada é gratuito. Por acaso. Tudo tem sua razão de ser. E é!
Ao associar os dois Erico não o fiz por acaso. Na literatura de Veríssimo a mulher, o homem do Rio Grande do Sul, surge vital, pleno, em suas histórias e sagas.
Na pintura de Santos essa sensação é igual.
Os Erico, cada um à sua maneira seguiram as pegadas de Gorky, mergulhando fundo na vida de seus conterrâneos. Na terra. Nas tradições e raízes.
Tanto para um como para o outro escrever não se resumiu em preencher laudas, pintar, colorir telas.
Veríssimo estava atento aos sentimentos, às emoções, às mínimas sensações. Santos não o faz por menos. Encontrá-las é fundamental. Captá-las é primordial. Transformá-las em imagens, é essencial. Básico.
Sem essas sensações não há literatura. Não há Pintura.
Erico sabe que sem elas pintar não existe. Cultivá-las faz parte do seu cotidiano. Se ao terminar de pintar uma tela não sentir a mesma alegria que um gol do Grêmio lhe provoca, a pintura não funciona.
Para Erico vida e arte andam juntas. Dissociá-las, não dá. Caminham juntas.
Acima falei de Gorky como poderia ter falado de Jorge Amado, mais próximo de nós. O regionalismo de ambos deixa de ser local no momento em que suas histórias ecoam no inconsciente coletivo.
O mesmo de se dá com a pintura de Erico. No momento em que suas imagens despertam o inconsciente coletivo os limites fronteiriços desaparecem. O leque se abre. Cresce. Toma o espaço.
Suas colheitas, suas mulheres, suas flores, seus cavalos e bois deixam de ser o que são e passam a ser todas as colheitas, todas as mulheres, todas as flores, todos os cavalos, todos os bois de todos os lugares. Mundo afora.
Quando isso acontece o quintal deixa de ser quintal. Passa a ser universo.
É o momento em que a arte existe.
Na pintura de Erico Santos, uma constante permanente.

São Paulo, maio de 2006

Carlos von Schmidt

Curador e Crítico de Arte

JACOB KLINTOWITZ, São Paulo, 1993
Jacob Klintowitz, crítico de arte paulista, volta seus olhos para o trabalho de Erico Santos, louvando-o como radicalmente um pintor, ao escrever o seguinte texto para o jornal Zero Hora do dia 27 de março de 1993:

        "Em Erico Santos se deve prestar atenção à capacidade plástica de sua pintura. É incisiva a maneira como ele busca soluções pictóricas para a figura, como a composição é organizada a partir de massas e como ele utiliza somente recursos de pintura, recusando-se aos possíveis recursos das artes gráficas e da comunicação publicitária. Em Erico Santos se deve prestar atenção, principalmente, de maneira inicial, a sua clara opção pela pintura. A figura, na sua pintura, define-se através do pictórico, da aproximação cromática, dos planos, da matéria. Essa maneira do artista, tropismo demonstrado em toda a sua obra, tem levado o artista, a resultados, cada vez mais, ponderáveis. Ele se encaminha para uma pintura matérica, o colorismo e uma representação de natureza táctil. De alguma maneira, Erico Santos está dentro da pintura, olha como pintor e se movimenta nos limites de sua técnica, não diferenciando o seu fazer do objeto representado. Ele não se coloca fora do assunto, não é um artista distante, mas insere-se, como fator perceptivo, no objeto representado. Dessa maneira, ele confere ao seu trabalho um caráter eminentemente subjetivo. Penso que a sua declaração sobre o posicionamento do artista, quer dizer exatamente isto, o privilégio da percepção do observador, também ele, elemento da pintura: pinto dentro do tema, misturado às pessoas e aos animais. A pintura como exercício sensorial.  A partir daí fica clara a opção pela emoção, o desejo de comunicação, o gosto pelo flagrante, o princípio figurativo e a pintura sempre como um dado sensual, sensorial e intuitivo. O flagrante é a identificação de uma emoção na qual o artista não é um simples anotador do fato externo, mas o que surpreende em si mesmo um dado emocional. Erico Santos acredita que a pintura é a expressão máxima da arte, o veículo essencial. Esta crença o impede de aventurar-se em vários terrenos, mas o favorece com a concentração e o aprofundamento na difícil tarefa da pintura. O investimento pessoal na pintura sempre é pouco diante do universo de possibilidades. Basta que se saiba que ele se insere na grande tradição moderna cujo ícone é Delacroix. A pintura como massa, táctil, textura, capaz de afirmar a figura pelas cores e o tema através da emoção. Entre Delacroix e Ingres, Erico Santos alinha-se com Delacroix, marca evidente do pintor de instinto. O próprio Matisse, tão relembrado como o outro lado da arte, em oposição geométrica a Picasso, abordou na sua obra essa questão. Quando pretendeu romper a oposição entre desenho e pintura, já na velhice, recortou figuras em papel colorido. Matisse desenhou em manchas cromáticas, desenhou diretamente com a pintura. Esses recortes, extraordinariamente reveladores, continuam como opção pela pintura. Degas, praticamente cego, fez uma série maravilhosa de esculturas modeladas, tácteis, sensíveis ao toque, texturadas. Esculturas de pintor. Erico Santos situa-se nesta tradição. Magnífica tradição. Parece o suficiente."


JACOB KLINTOWITZ, São Paulo, 2003
As pessoas estão levemente inclinadas no gesto ancestral da colheita e o movimento é tão natural que talvez seja o vento que as impulsione como faz com a vegetação. Entre uma e outra a distância é pouco maior que o braço e elas estão vestidas de brancos, amarelos e tons de violeta de tal maneira que o sol é cúmplice deste acorde harmonioso. É também ele que preside o dourado dos girassóis, as matizadas sombras do algodão, e enriquece os frutos da terra. Este é o reino dos homens no qual eles ordenaram a natureza e tornaram o silvestre em civilização. E estas pinturas de Erico Santos são as paisagens utópicas da nossa imaginação. Paisagens de lugar algum, salvo o principal deles, a nossa mente. Ainda que o artista tenha referências precisas e apóie a sua pintura na fonte rural que conhece tão bem, ele transforma as cenas em gesto não naturalístico, numa escala cromática inteiramente pictórica. É por esta razão que podemos encontrar ecos da história da arte no seu trabalho e que um artista profundo como Danúbio Gonçalves pode identificar nesta pintura o colorista, “...uma sinfonia de amarelos...”.
Acrescente-se a esta percepção o olhar que se aproxima da cena criada por Erico Santos e não  encontra os detalhes, as características esperadas, da figura humana. Aqui elas são constituídas gestualmente e a ilusão de seu realismo se dá pelo domínio expressivo do desenho anatômico. Neste caso se confirma a escolar lição de que a simplificação exige o conhecimento do todo.
A totalidade precede a deformação. É evidente que o artista que não tem incorporado ao seu ser o saber da estrutura corporal do homem não pode significá-lo de nenhuma maneira. É a razão fundamental porque existem tantos pretensos expressionistas criadores de formas estranhas...
Mas se a paisagem de Erico Santos é utópica, de lugar nenhum, ela se insere de maneira vigorosa no imaginário e na nostalgia contemporânea. A nossa é uma civilização de cidades e temos do rural o doce sonho de uma apaziguadora sutuação. Uma relação idealizada da existência com questões apenas simples, não complexas. O nosso reconhecimento imediato da pastoral, a identificação imaginária, nos faz completar os detalhes, tornar a pintura naturalística. Nós a tornamos assim, identificada com o nosso desejo.
Entretanto, mais forte do que qualquer coisa, existe o mito do Paraíso e o dolorido sentimento da ausência do Paraíso. É esta saudade do lugar, a nostalgia, a avassaladora percepção da terra ausente, que torna o homem contemporâneo Ulisses. Não é importante, neste caso, a crença ou não na existência do Paraíso, na Queda, no Pecado Original, mas sim a verificação do mito e de sua força no psiquismo humano. Muitos artistas contemporâneo, cada um de uma maneira particular, como é o caso de Erico Santos, respondem à esta tristeza humana.
A saga de Érico Santos estende-se por muitos assuntos, danças, cavalos, campos de marcela, flores brancas, girassóis, margaridas, milho, uva, arroz, trigo, algodão, bananas, bergamotas, café, mas em todos eles permanece a mesma opção artística. Erico Santos constrói as suas imagens com recursos inteiramente pictóricos. O contorno é definido pela aproximação de cores e o volume é dado pelo movimento do pincel. Em nenhuma de suas telas a figura é definida pelo desenho explícito, do qual tantos artistas, como Ingres, Aldo Bonadei e Georges Rouault, utilizaram. No seu caso, a figura é definida por massas cromáticas, a linha é criada por contigüidade de pigmentos, e a cena é minuciosamente enriquecida por escalas harmônicas, tonalidades da mesma cor, e sugestões visuais de figuras. É compreensível que um artista rigoroso como Henrique Léo Fuhro, cuja obra é antípoda da de Erico, possa afirmar: “...é um artista pronto, com norte e contínua evolução.”.
É exageradamente comum, em nossos dias, a utilização na arte de recursos da comunicação em massa, especialmente as histórias em quadrinhos e a fotografia publicitária. Essas imagens propiciam o assunto, a composição, o desenho, a opção ideológica, o ponto de vista filosófico e, muitas vezes, a dinâmica e movimento. Está tudo pronto. Epígonos de Richard Hamilton, Claes Oldemburg, Jasper Johns e Roy Lichtenstein se multiplicam às dezenas sem as mesmas justificativas culturais. Erico Santos é um resistente, pois escolheu a pintura como caminho pessoal. Não é por acaso que a sua arte tem um percurso tão definido e de contínuo refinamento. E que a sua observação tornou-se inteiramente a de um pintor, capaz de perceber o tema em áreas de cores e a sua visão tornou-se artística, capaz de saber que o verdadeiro olhar é o interior.
                                                        Jacob Klintowitz

ARMINDO TREVISAN, Porto Alegre, 2001
         A pintura de Érico Santos se constrói sobre uma das inovações artísticas mais interessantes e férteis da história do mundo ocidental, a sugestão, que aparece com Giotto e Van Eyck no século XIV, embora tenha existido, alguns séculos antes, na China. Basicamente, ela consiste em apresentar um aspecto parcial da realidade ou dos fatos, na suposição de que a memória e a imaginação do espectador consigam, de acordo com o próprio repositório de lembranças e a inventividade pessoal, completar, e até ampliar, o tema proposto.
         Observemos uma das telas de Érico: ele não nos dá a imagem integral, retiniana. Ele nos dá uma espécie de leit-motiv óptico, um gatilho deflagrador. Para quem vê, trata-se quase de uma "imagem desfocada". Não se vêem os detalhes na tela, mas apenas grupos de detalhes, uma figura geral. Em síntese, Érico não se interessa pela reprodução da cena exterior, mas por uma re-produção imagética, que conta com a adesão do mundo mental, sobretudo do mundo imaginativo do contemplador. A intenção de Érico não é a de repetir o que os olhos vêem, mas de oferecer-lhes algo que não vêem, e podem ver. Ao deslocar a atenção do contemplador para as cores e para os movimentos de conjunto da tela, Érico retoma a inspiração dos impressionistas, sem imitá-los servilmente. Pelo contrário, embora nos seus quadros seja sempre possível encontrar afinidades com os impressionistas, o que ele faz é outra coisa: uma arte com características próprias, com paleta própria, com um universo temático que, como já observou outro crítico, tem inclusive o mérito de regionalizar a arte, trazendo-a para o seu verdadeiro húmus. Érico exige do "leitor" uma co-autoria explicita, porque o prazer de sua pintura não é o prazer do mimetismo - ou da imitação de outrora - que, no dizer de Aristóteles, obtinha sua satisfação no reconhecimento. No caso de Érico, o prazer é íntimo: vem de dentro, da satisfação que o espectador tem de ser também autor da tela, de pintá-la, por assim dizer, com dedos invisíveis. É uma realização pessoal da memória e da imaginação de cada um.
Será isso suficiente para explicar por que Érico Santos é um dos pintores gaúchos de maior sucesso de público, neste momento? Não é preciso dizer que tal alegação não é suficiente. É subestimar o gosto do público que, mesmo nas suas adesões espontâneas, sabe guardar uma intuição certeira. Talvez uma das razões do êxito de Érico esteja, simplesmente, na sua alegria de pintar, que contagia o leitor. É impossível não sentir prazer diante de suas telas ensolaradas, cujos temas são nossos: vindimas, colheitas de bananas, ou quaisquer dos temas de nossa paisagem e vida.
         É preciso insistir no fato de que Érico é um artesão cuidadoso, que sabe mesclar suas tintas, e ajustá-las ao desenho geral de suas obras. A razão de seu sucesso reside na união dialética de suas duas linhas de trabalho: por um lado, fidelidade ao figurativo, o suficiente para que o espectador identifique o recorte do mundo que aborda; por outro lado, uma recriação pessoal capaz de incluir, nos seus quadros, algo do abstracionismo, que não o deixa cair na facilidade da reprodução fotográfica. O prazer, pois, que Érico Santos oferece tem a ver com um mínimo de respeito em relação às aparências, e um mínimo de subversão delas, das quais extrai ângulos inesperados, vibrações surpreendentes, que não foram ainda assimiladas pelo público, apesar de todas as revoluções estilísticas, e de todas as rupturas do século XIX.
         Concluindo, destaquemos um fato: Érico é um pintor de ação. Não se fixa em detalhes, não tem interesse pela interioridade em si, pelas sutilezas psicológicas. Em compensação, que admirável captação de gestos, de movimentos ao ar livre! Aqui, também, o conjunto se sobrepõe ao pormenor. São maravilhosos os ângulos que o pintor consegue obter da natureza, e dos personagens que se movem dentro dela. Sem falar na sua vocação para a coreografia visual: os seus quadros são pequenos balés cromáticos, onde se vêem camponeses e camponesas entretidos em suas fainas.

Armindo Trevisan



ANTONIO AUGUSTO MARX, São Paulo, 1991
       O artista plástico, arquiteto e crítico de arte Antonio Augusto Marx, escreveu que "Erico Santos é essencialmente um colorista. Nas suas telas sente-se a pasta da pincelada descompromissada e a ausência do certinho. Revela um despojamento  benéfico das formas que traduz, permitindo que, com pouco, possa dizer muito, tal a certeza dos toques na representação cromática. Erico tem a capacidade de abranger temas complexos, sejam eles quais forem, desde a natureza morta até as figuras e paisagens."



HENRIQUE FUHRO, Porto Alegre, 1994
        O artista plástico Henrique Fuhro, escreveu que "Erico Santos é artista pronto, com norte e contínua evolução."



ZÉ AUGUSTHO MARQUES, Porto Alegre, 1998
        Prefaciando o livro Pintura & Palavra, escrito e editado pelo artista, o crítico de arte e poeta Zé Augustho Marques afirma que "Erico está vertiginosamente a reger seus pincéis num colorismo inigualável, e uma quase pretensão de repousar nas palavras sua preocupação com a técnica, com seus signos verdadeiramente pictóricos. As palavras de Erico são as pinturas de Erico; não mente a parte do sol em seus amarelos inconfundíveis, e tampouco o claro-escuro da lua, valores concretos da visão plástica. Seguramente a pretensão de Erico Santos é mais sutil do que a das vanguardas, às vezes contraditórias. Erico é um neo-impressionista contemporâneo que persegue a cor sem trégua, com o valor abstrato das palavras. Graças ao seu poder de evocação sensível nas Artes, é que Erico parece mesmo volatizar cores quentes através da reciprocidade visual, já em chamas multicores, em plena tela. Erico relata com pensamentos e palavras seu silêncio concreto. Sim, porque Erico Santos, em sua obra, é o oposto da língua que grita. Pelo contrário; só há linguagem no silêncio plástico de suas colheitas, e na brancura espetacularmente silenciosa de suas boiadas, onde as cores (palavras suas) têm sobre si a projeção da luz."

        Em outra ocasião, escreveu que "Erico Santos é um artista plástico de sangue real, não usa meias palavras para dizer que tem seus segredos próprios: "capta o que a máquina fotográfica grava com cientificidade poética", (como ele mesmo diz). Julga-se um autodidata em constante envolvimento emocional com suas cores registradas diretamente no tempo de sua assinatura. Não é preciso ler no rodapé da tela. Suas figuras são como suas "Danças-gaúchas", seus "meninos com pandorga", seus "tropeiros", que não levantam um grão de poeira sequer, porque são da "terra" que lê sua música em comunhão bailarística com todos os movimentos imagináveis... Erico vê a pintura com os olhos da lente que atravessa a vidraça e voa na paisagem com a velocidade de que limita, o gesto na pincelada exata em suas "colheitas de uva", em seu "Retornos e Despedidas" (cenas em que a mulher com um gesto singelo arregaça a manga do sentimento nostálgico que retrata o "ir e o voltar do homem à cavalo"... Erico Santos trata suas telas, (antes de pintá-las), com a acuidade de um alquimista no preparo de alguns milagres do fazer poético. (...) Quando se olha para uma gravura em metal de Erico Santos, vê-se que "São Francisco" é mais que o evangfelho das metáforas de Alexander Pope, é Santo, e com pombas e borboletas lúdicas da cor da paz. Erico é um artista raro, um colorista que pinta a pupila de quem vê seus quadros (...). A pintura de Erico Santos é certamente a flor que dura nas mãos dos que a colhem e procura na luz, as estrelas nuas entre o mosaico das nuvens e do sol.



DANÚBIO GONÇALVES, Porto Alegre, 2002
A píntura de Erico Santos é uma sinfonia de amarelos cádmius, ocres, terras de siena, de quentíssimo colorido. Quentíssimo á primeira vista! Sua essencial pincelada, gestual, em espontâneo namoro com a temática se completa no hino vital. Campins, jardins, primavera em mapa humanístico.
JORGE KARAN, Porto Alegre, 1999
Jorge Karan, da tradicional Sala de Arte de Porto Alegre, escreveu que a obra de Erico Santos tem "grande significado social. Ela dita e fortalece a esperança e a alimenta. Conduz, inclusive, para aquele caminho. Imagino a satisfação do pintor em levar sonhos, tão bem pintados, a tantos seres através de uma obra com tal dignidade e amplitude."



ARMINDO TREVISAN, Porto Alegre, 1999
O poeta e crítico de arte Armindo Trevisan, no prefácio do livro Arte: emoção e diálogo, de Erico Santos, editora Uniprom,  faz o seguinte comentário sobre o artista a respeito de suas atividades, tanto de pintor como de escritor, ao dizer que Erico Santos "escreve com clareza e agilidade, demonstrando, para com os leitores, a mesma elegância que o caracteriza como pessoa, e que se reflete na sua produção pictórica, cujo principal inspirador é Claude Monet. Ela é acessível, atraente e sugestiva. Pode-se descobrir nela uma finesse de composição e execução, que torna compreensível o seu sucesso e revela, ao mesmo tempo, o talento e a cultura do pintor."



RENATO ROSA e DECIO PRESSER, Porto Alegre, 1997
       Conforme Renato Rosa e Decio Presser, no Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul, editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, "seus trabalhos são admirados pela técnica segura e abordagem de temas como as colheitas de marcela, laranja e cenas da vindima gaúcha, com resultado vibrante. Trata-se de um profissional empreendedor e dedicado, com alto sentido profissional, mostrando uma segurança ímpar."



ARMINDO TREVISAN: "A Via-Sacra de Erico Santos"
Nos últimos dois séculos, não há, praticamente, igreja paroquial do mundo cristão no ocidente que não tenha em seus muros as estações do caminho doloroso de Jesus. A devoção à Paixão de Jesus, que ganha particular realce no tempo quaresmal e na Semana Santa, é uma das tradições religiosas mais enraizadas em nosso povo. Já no Barroco se encontram exemplos dessa devoção em nossos artistas: pode-se considerar os Passos da Paixão (1795 – 1799) do Aleijadinho, em Congonhas do Campo, no Estado de Minas Gerais, uma via-crucis abreviada.

Ao dispor-se a pintar uma Via-Sacra, Erico Santos estava ciente de que enfrentaria uma missão difícil. Primeiramente, em razão do tema. Com o passar do tempo, as representações da Paixão se transformaram em clichês visuais, isto é, em algo “esperado”. De tanto verem determinadas imagens, os fiéis já as esperavam, desejando ver o que estavam habituados a verem. Como, então, pretender um mínimo de originalidade, já que esta é a marca do verdadeiro artista? Erico desejava atender às duas exigências básicas do seu projeto: ser fiel ao aspecto histórico da Paixão de Cristo, e ser fiel a si mesmo, ao estilo que vem elaborando ao longo de uma vida de dedicação exemplar ao seu ofício. Impunha-se, ainda, outra exigência: promover a piedade litúrgica. Tratava-se de uma obra de arte que devia ser inserida num contexto, o de uma igreja, e destinada a uma função específica: evocar aos fiéis as cenas da Paixão, estimulando-lhes os sentimentos pessoais de respeito, adesão, e solidariedade para com o sofrimento redentor de Jesus.

Vejamos como o artista conseguiu harmonizar essas três exigências.

Antes de tudo, Erico não abriu mão de suas cores prediletas de seu jeito de pintar. O estilo, a bem dizer, o favoreceu no caso presente. Os acontecimentos da Paixão são, primeiramente, fatos históricos; por outro lado, são fatos místicos, na medida em que transcendem a moldura do tempo, e se apresentam na atualidade como sinais portadores de graças, ou seja, como veículos da ação de Deus. O estilo de Erico, por não ser detalhista, nem privilegiar o ocasional, confere às imagens uma dimensão evocativa maior. Os personagens não são individualizados, a não ser na medida em que tal característica contribui para valorizar o conteúdo de cada estação. Por essa mesma razão, o pintor torna-os móveis, como se fossem  fotogramas de um filme que deve completar-se na mente do contemplador. São imagens cuja finalidade é indicar a direção do afeto, não prendê-lo à sua própria efemeridade. Sob esse ponto de vista, o pintor consegue resultados notáveis: embora o rosto de Cristo seja, talvez, o mais singularizado, mesmo assim não se impõe com absoluta exatidão ao contemplador, a fim de que cada fiel possa projetar nele o próprio rosto, ou o rosto de alguém que lhe evoque o rosto sagrado, segundo a declaração de Jesus: “O que fizerdes ao menor de meus irmãos, é a mim que o fareis.” Há, portanto, uma identificação entre o rosto de Jesus e o rosto do mais esquecido dos homens.

O segundo ponto a registrar é o colorido exuberante da Via-Sacra de Erico Santos. Sob uma certo ângulo, o pintor retoma uma tradição medieval, quando ainda não havia surgido, entre os cristãos, a tendência a uma hiper-sentimentalização da temática. Refiro-me, por exemplo, aos painéis sobre a vida de Jesus que Duccio, o grande pintor sienense, pintou no dorso de sua Maestà,  uma das obras-primas de toda a produção artística européia. Podemos admirá-la, atualmente, no Museu del Duomo, junto à Catedral de Siena. Sem dúvida, o tom e o ritmo de Duccio são outros. Os fundos dourados do Mestre de Siena diferem dos de Erico que, não obstante, adopta também uma espécie de dourado esbatido, salvo na estação da Crucificação, que é toda em cores violetas. A coincidência, a que aludimos, é a dos vermelhos e azuis, inclusive o azul ultramarino do manto de Jesus e da Virgem. Como herdeiro das rupturas e experimentos da Arte Moderna, Erico introduz novidades: suas cores são mais estridentes, mais entremescladas. A transição de uma cor à outra se faz, nas suas telas, sem contornos definidos. Numa palavra, o artista não se deixa cercear pela insistência – de uma passado iconográfico recente – em favor de cores tristes. Prefere cores alegres, ou antes, cores vivas. Até mesmo porque tais cores remetem, subliminalmente, a idéias de vida, ressurreição e alegria pascais. Atento às preocupações da teologia contemporânea. Erico deseja que seus quadros, fiéis à realidade histórica dos Evangelhos, sugiram ao contemplador a super-realidade da mensagem de Cristo, expressa, com feliz radicalidade, pelo apóstolo Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé ( . . . ) Se for só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima. “I Coríntios, 15-19). Por isso, a primeira impressão que nos dá a Via-Sacra de Erico Santos é quase  a de uma paisagem prolongada: a paisagem da Graça, do Jardim das Oliveiras, e também do Jardim no qual Cristo apareceu a Maria Madalena, tão humano que esta a princípio não o reconheceu.

Notemos um detalhe: Erico não se concentra sobre os aspectos psicológicos dos personagens. Valoriza principalmente a ação, visto que pretende sublinhar a relação concreta de suas imagens com a dimensão real dos fatos, sem se ater a figuras que já não nos interessam em si mesmas. Interessa-nos o que elas representam (ou reatualizam), os homens contemporâneos: “Cristo estará na Cruz até ao fim dos tempos”, escrevia Blaise Pascal (1623-1662), grande cientista e pensador católico, aludindo ao fato de que cada homem precisa ser batizado no sangue redentor de Jesus. E também: ao fato de que cada homem deverá completar em si a Paixão de Cristo mediante o seu próprio sofrimento aceito, seja na doença, na perseguição moral, ou em outra qualquer circunstância. Acentuando a ação na Via-Sacra, Erico deixa a cada contemplador a liberdade de tirar suas lições do que vê, e de assumir pessoalmente a responsabilidade pela Paixão de Jesus.

Podemos acrescentar que os rostos, e que não é nenhuma audácia imaginá-los como se fossem os nossos e os de nossos irmãos. Em síntese: as estações pintadas são meros signos, que têm a função de provocarem em nós uma meditação autenticamente cristã, e autenticamente contemporânea.

Em algumas das estações, o pintor foi excepcionalmente sugestivo. Assim o gesto de Cristo sobre a cabeça de uma das mulheres por Ele consoladas é inesquecível. É um gesto de carinho e benção, como se o Mestre lhes quisesse dizer: “Não temais, eu venci o mundo! “Outra obra de impacto tem seu clímax no confronto dos dois rostos: o rosto de Cristo, reduzido a algumas manchas, e o rosto da Virgem, quase esfumado, que deixa ver seu perfil em azul.

É, porém, nas estações finais que o pintor mostra toda a sua técnica e refinamento, não só artístico, como também emotivo: a cena do Desnudamento de Cristo é particularmente patética, embora o seu ar extático pareça dizer contrário. Reparemos na finura do artista: ele não evidencia a nudez física de Jesus; limita-se a conferir um movimento helicoidal às suas vestes, já que tal movimento insinua a violência da intromissão na privacidade da vítima. É uma cena em que até os esbirros manifestam certa perplexibilidade, como se a majestade divina os obrigasse a suavizar a brutalidade.

As quatro últimas cenas são de uma pungência excepcional. Erico não exagera, não passa dos limites, não apela para recursos duvidosos. Mantém-se dentro das fronteiras da discrição e da meditação contemplativa. Pode-se, ainda, perceber alguma agitação no dramatismo do gesto da Virgem – na cena da Crucificação onde, aliás, toda a luz da pintura provém do corpo agonizante de Jesus – quando levanta os braços, como se desejasse abraçar o filho. Nas cenas da Deposição do corpo nos braços da Mãe, e na cena do Sepultamento, o tom elegíaco se intensifica. O espectador é convidado a interiorizar-se, a pensar em si mesmo, na sua própria relação de amor e esperança com Cristo. Em especial, na cena do Sepultamento, os toques de dourado, na borda do sepulcro, surgem como prenúncio da manhã de Páscoa.

Erico Santos, respeitando o sentido da iconografia tradicional cristã, compôs um belo poema à Paixão de Cristo. Um poema sereno, repleto de metáforas sutis, que revela uma pintura de alto nível, formalmente madura. Um pintura na qual a visualidade se torna ardente e persuasiva, tocante e misteriosa.


                        Armindo Trevisan
TANIA BARREIRO, Porto Alegre, 2000
        Em reportagem no Jornal do Comércio, sobre o mercado de artes, assinada pela jornalista Tania Barreiro, onde foram entrevistados os maiores galeristas gaúchos , conclui-se que Erico Santos está entre os cinco artistas mais "carismáticos" do Rio Grande do Sul.



Clique Aqui e Assine o Livro de Visitas do Artista
Copyright © 2007 Erico Santos | Desenvolvido por M23