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Biografia
Informações sobre Erico Santos
VENCIDO POR UMA PAIXÃO
UM BREVE HISTÓRICO DA MINHA VIDA


Meus pais viviam na cidade de Cacequi, no interior do estado do Rio Grande do Sul, onde nasci no dia 8 de janeiro de 1952, na pequena casinha em que residiam, sob a assistência da parteira do lugar. A vida era difícil para os meus pais, mas eles lutavam para melhorar de condições. Minha mãe estudava e trabalhava como diarista datilógrafa da Viação Férrea onde o meu pai também trabalhava como contínuo. Poucos meses depois, meu pai passou no concurso para conferente e se mudaram para Santa Maria, um grande centro ferroviário, na época. Eu tinha pouco mais de dez meses.

Em Santa Maria eu cresci brincando pelas ruas e terrenos baldios, soltando pandorga, rolando pneu, jogando bolita,  andando de bicicleta, numa época em que isto era possível. Meus pais sempre lutando pela vida: a mãe se tornou professora e o  pai advogado. Fui aluno da minha mãe no primeiro ano do ensino primário. Ela se socorria a mim quando não conseguia desenhar alguma figura no quadro negro. Depois os coleguinhas não me perdoavam e eu tinha que desenhar no caderno de cada um. Mas eu ficava muito orgulhoso. Fui crescendo, pré-adolescente, passava dezenas de vezes de bicicleta na frente da casa de uma coleguinha que eu gostava, carregando um caderno de desenho na esperança de que ela aparecesse, me desse um “oi” e perguntasse o que tinha no caderno. Eu imaginava que podia conquistá-la com meus desenhos. Naquele caderno eu tinha reproduzido a grafite, retratos dos meus pais, de Jesus Cristo, de Pedro Álvares Cabral etc., tudo tirado de fotografias e dos meus livros de história e religião.

Era um contumaz devorador de histórias em quadrinhos. Não perdia um número do Pato Donald, Zé Carioca, almanaque do Tio Patinhas, Bolinha, Pernalonga e a revista Cacique que circulava somente em Santa Maria, nos anos 50 e 60. Enquanto o meu primo lia cinco revistinhas eu lia uma. Ele me chamava de lento, mas ele não sabia que eu lia e ficava analisando todos os detalhes dos desenhos, da precisão dos traços, procurando adivinhar como os desenhistas faziam e que materiais usavam. Consequentemente, comecei a desenhar histórias em quadrinhos com meus próprios personagens: Dom Cartola, o Gato Peri, o Ganso Odorico e outros com visível influência do Walt Disney.

Eu já tinha meus 17 anos quando a minha prima que estudava música no Instituto de Artes da Universidade Federal de Santa Maria, me levou para frequentar uma aula de desenho com modelo ao vivo. Como “aluno-ouvinte”, o meu desenho foi muito elogiado pelos mestres. Lá, fui apresentado aos pintores Cláudio Carriconde e João Quaglia, cujas breves conversas me trouxeram inesquecíveis ensinamentos.

As vezes o meu pai vinha, a trabalho, a Porto Alegre e trazia a família. Eu nunca deixava de olhar os quadros na vitrine da Galeria Edelweiss, lá em cima, na Andradas. Existe até hoje. Ficava me deliciando com aquelas rosas, que saiam da tela,  derramadas daquelas cestas de vime, tão vivas como se recém colhidas. Em Santa Maria, não havia museus de arte, nem galerias. Eu me abastecia nas reproduções que eram vendidas nas livrarias. Um interesse pela pintura que eu não sei explicar de onde veio. Fazia incansáveis estudos com cores em tampas de caixas de sapato, papelão, madeira etc. Ia para a natureza, ao ar livre e tentava decifrar as cores, os planos... olhava as reproduções e tentava fazer. Lembro que eu tinha uns dez anos quando ganhei duas telinhas pequenas do meu pai e uns tubinhos da antiga e extinta tinta “Hering”. Foi frustrante a minha primeira tentativa de copiar uma paisagem direto da natureza. Não conseguia. Acabei me irritando. Parti a tela em pedaços. Mas agora, já mais maduro, eu estava descobrindo a pintura, já que o desenho eu tinha e nele eu me garantia. Estas experiências com as infinitas possibilidades cromáticas, com a observação da natureza, me serviram muito para o aprendizado da pintura. Sempre sozinho. Um autodidata convicto.

Aos 18 anos, resolvi que tinha que trabalhar para ter o meu próprio dinheirinho e atendi a um anúncio no jornal que recrutava desenhista para uma empresa de placas de letreiros e logotipos. Ganhei o emprego porque consegui desenhar com mais perfeição a letra S, a mais difícil.

Chegou a época de fazer vestibular, definir o futuro, seguir uma profissão. Nunca me passou pela cabeça a arte. Esta era a minha paixão, desde muito pequeno. Mas um futuro seguro nunca foi recomendado a quem pretendia ser artista. Entrei para a faculdade de Direito da UFSM em 1972, influenciado pelo meu pai, mas sempre pintando e desenhando, já com quadros em galerias de arte de São Paulo e fazendo cartuns para revistas do centro do país. Suspendi por um ano a faculdade para trabalhar em São Paulo no atelier de Renzo Gori.  Acabei me formando em Direito em 1978. Exerci a advocacia por quase dez anos.

Em 1981. vim residir em Porto Alegre para trabalhar no Serviço Jurídico do Instituto de Previdência do Estado, mas algumas paixões nos vencem. Não aquela de guri pela coleguinha, mas a da Arte. Um dia, já casado e com meu primeiro filho recém nascido, internado no hospital em conseqüência de sérias complicações durante o parto, para completar, fui demitido do serviço público. Era 29 de setembro de 1987. Eu era contratado e no ano seguinte entraria em vigor a nova Constituição que asseguraria efetividade a todos os servidores contratados. Um lance de perspicácia do então secretário de administração do governo Pedro Simon que resultou em massivas demissões no Estado. Passei, apartir de então, a me dedicar exclusivamente à pintura.

Hoje, vencido pela Arte, estou aqui, contando este breve relato da minha vida.

HISTÓRICO DA CARREIRA
Erico Santos nasceu em Cacequi, no Rio Grande do Sul,  em 1952. Começou a pintar profissionalmente a partir de 1976, em São Paulo, no bairro Pinheiros, no atelier do pintor e restaurador  florentino Renzo Gori. Ajudou Gori a restaurar obras de importantes artistas como Portinari, Di Cavalcanti, Tarsila, Rebolo,  Bonadei, Volpi etc. e os quadros que pintava eram levados pelos marchandes que freqüentavam o atelier. Em 1977 retornou para Santa Maria, no Rio Grande do Sul para concluir o curso de Direito. De 1978 em diante, alternou a advocacia com a pintura. Em 1981 foi para Porto Alegre para assumir o cargo de Procurador Autárquico no Instituto de Previdência do Estado. A partir de 1987, começa a se dedicar exclusivamente à pintura onde se tornou um dos líderes no mercado do sul do país. Fez gravura em metal no atelier de Iberê Camargo. Começou a participar efetivamente do mundo das artes como jurado em salões oficiais de arte, palestrante em universidades, escrevendo sobre arte em jornais e revistas especializadas. Publicou os livros “Pintura & Palavra” e “Arte: emoção e diálogo”.  É conselheiro e um dos idealizadores do Museu de Arte de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Atualmente, divide o tempo entre os atelieres de Porto Alegre e de  São Paulo, na rua Peixoto Gomide, perto do MASP. Verbete nos seguintes dicionários: Art Trade International Guide of Quotation, de Narcizo Martins, Porto, Portugal, 1993; Artes Plásticas Brasil, de Julio Louzada, São Paulo, diversas edições; Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul, de Renato Rosa e Décio Presser, Porto Alegre, l997; Arte & Artistas, São Paulo, 2002/2003 e Anuário de Arte, Barcelona, Espanha. 2002. Citado nos livros: Atuar Arquitetura & Decoração, de Renato Andreuchetti, Porto Alegre, 1998; Arte Brasil, Série Artistas Brasileiros, vol. 9 e Artes Plásticas Brasil 500,R Editora, Belo Horizonte, 2000 e Anuário de Artes Plásticas Brasileiro, Belo Horizonte, 2001, sendo a capa do livro. Realizou mais de 20 exposições individuais e mais de 150 coletivas nacionais e internacionais onde obteve, entre outros prêmios: Medalha de Ouro CULTUR-RS; Medalha de Prata em Rio Claro-SP; Medalha do Mérito Artístico Cultural UNAP-SP; Revelation Award World Talents em Miami; Menção Honrosa VIII CIAB em Roma; Prêmio Destaque England Best Art em Eastbourne; Destaque Relecturas em Guadalajara; Master Gold Medal Fascination Best Art em Miami; Prêmio Destaque em Artes Plásticas pela UNAP-SP; Ordem do Mérito das Artes Plásticas no Grau de Cavaleiro Oficial, pela União Nacional dos Artistas Plásticos, São Paulo-SP; Grande Medalha de Ouro no “Edinburgh Best Art Show”, Escócia, United Kingdom; Gran Medalla de Oro, “II Exhibición Extraordinaria de Arte”, Madrid, España; Master Medalha de Ouro no “II Fantastique Exposition de L’art, Paris, França. Participou das Off Bienal 2 e 3, no MUBE em São Paulo-SP e do Pantanal Cores & Formas na Art Galeria Mara Dolzan em Campo Grande. Esta mostra foi, em março de 2007, para o Cultural Blue Life em São Paulo. Em 2008 foi convidado para a 1ª Bienal de Arte Contemporânea de Chapingo, no México.
Em 2009 foi selecionado para a "NAC - Novegro Arte Contemporanea, 2a edizione", em Milão, na Itália.
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